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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

MUNDO; Síndrome raríssima faz mulher se lembrar de quando era bebê


  A australiana Rebecca Sharrock tem uma síndrome raríssima conhecida como Memória Autobiográfica Altamente Superior. Em entrevista a CRESCER, ela usa sua experiência para dar dicas a pais de crianças pequenas



  Já imaginou recordar em detalhes vívidos quase todos os dias de sua vida? É isso que a australiana Rebecca Sharrock, de 27 anos, consegue fazer. Ela tem uma síndrome raríssima - estima-se que ela afeta menos de 100 pessoas no mundo todo - conhecida como Memória Autobiográfica Altamente Superior, que permite lembrar de coisas que aconteceram desde os primeiros dias de sua vida. Rebecca já foi testada por pesquisadores da Universidade da California (EUA) que confirmaram sua condição.

  Em entrevista a CRESCER, ela dá pistas, através de suas lembranças, de como o mundo é da perspectiva dos bebês:

  Quando você percebeu que era capaz de se lembrar de tudo?

  Desde o início da minha vida, eu sabia que era capaz de lembrar de tudo. Mas inicialmente acreditava que todo mundo conseguia fazer isso também, o que me deixava muito confusa nas conversas em que as pessoas demonstravam não se recordar de eventos passados.

Qual é o impacto disso no seu dia a dia?

  A Memória Autobiográfica Altamente Superior (HSAM, sigla em inglês) tem um impacto enorme na minha vida, que só agora estou aprendendo a gerenciar. Reviver memórias negativas é a parte mais difícil. É um desafio para mim quando revivo de uma vez todas as emoções que senti no passado. É difícil quando uma memória amarga invade um momento presente que eu deveria estar aproveitando (como um aniversário, o Natal ou um fim de semana divertido). Os fluxos de memória contínuos também me mantém acordada à noite. Para conseguir dormir, preciso colocar uma música leve e suave. Descobri que ela distrai minha mente dos flashbacks.

Qual é a sua memória mais antiga?

  Na lembrança mais antiga que recordo, eu estou em um berço enrolada em cobertores brancos de algodão e olho para o ventilador no teto, imaginando o que pode ser. Não sei exatamente qual era a data ou a minha idade (era muito jovem para saber sobre essas coisas). Mas sei que foi antes de completar 12 dias de vida, porque lembro de ter sido fotografada nessa data. E sei que a memória do berço foi antes disso.

O que te magoava quando você era um bebê?

  A coisa que mais me deixava chateada era quando sentia que a minha mãe não estava por perto. Tive um apego emocional à minha mãe desde o início.

Quais eram suas atividades favoritas na infância?

  Inicialmente, eu gostava de reparar nos detalhes de tudo, desde os objetos ao meu redor até as palavras que ouvia. Não demorou muito para que eu começasse a praticar sons vocais que depois se transformaram em palavras. Depois que eu aprendi a andar, gostava de organizar a gaveta de talheres e brincar com a lista telefônica.

  Já que você se lembra de como era ser um bebê, que dica daria aos pais de crianças pequenas?

  Se um bebê acorda chorando muitas vezes durante a noite, provavelmente é porque está sonhando. Os sonhos são assustadores para crianças muito novas, porque elas geralmente acreditam que eles são reais e que elas estão saindo da segurança de casa todas as noites. É importante que o bebê saiba que sua mãe / pai está na casa. Uma coisa que me ajudou foi ter boneca de pano colocada perto na minha cama. Quando estava escuro eu acreditava que ela era minha mãe e me sentia mais tranquila. Outra coisa que ajudava quando eu estava com medo de adormecer era sentar com meus pais na sala e fazer algo divertido e cansativo. Eu logo percebia que estava cansada e precisava dormir.

Fonte: Notícias ao Minuto


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