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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cientistas estudam 'zonas de microcefalia'


Pesquisadores investigam concentração de casos de zika e fatores que impeçam os efeitos mais graves da virose

                                   Mosquito Aedes aegypti é transmissor do zika vírus

  Apesar de todo o avanço que houve no entendimento da ligação entre a infecção pelo vírus da zika e o surgimento de casos de microcefalia, algumas perguntas permanecem sem resposta. Por que os casos estão concentrados no Nordeste? Existe algo que predisponha ou impeça os efeitos mais graves da virose?

  O problema intriga os cientistas e o governo. A busca por respostas inclui várias frentes, desde o estudo da prevalência de outras infecções (como a dengue) até o mapeamento de fatores genéticos e ambientais.

  A identificação de um ou mais cofatores (que atuariam em "parceria" com o vírus da zika) poderia ser chave para a prevenção de futuros casos.

  A explicação mais simples é que condições precárias de higiene - e infecções decorrentes- seriam um fator. Para investigar essa possibilidade, seria necessário um mapeamento mais detalhado dos locais com concentração de nascimentos com microcefalia combinado a uma avaliação socioeconômica, afirma o virologista e professor da USP Paolo Zanotto, pioneiro nas pesquisas de zika no país.

IDH

  “A maioria dos casos acontece com pessoas que vivem em locais com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) muito baixo. O saneamento básico pode ser o problema. Se for, pode não só incentivar a correção dessa questão de 500 anos mas também fazer a gente se atentar para a relação entre nível socioeconômico e doenças", diz.

  A própria existência desses "clusters" (regiões contíguas) com alto índice de nascidos com microcefalia é questionável. Não há uma boa estimativa de quantas pessoas tiveram, de fato, a zika.

  O motivo disso é a falta de um exame capaz de diferenciar corretamente quem .já teve zika ou dengue.

Dengue

  E isso seria importante também por outro motivo: é possível que um dos fatores de risco sejam infecções anteriores de dengue -os anticorpos contra os vírus da dengue poderiam "fortalecer" o vírus da zika e auxiliá-lo na tarefa de invadir as células do organismo e se replicar.

  Sabe-se que em várias cidades do Nordeste há alta incidência de casos de dengue, o que poderia justificar a investigação dessa relação.

  Na contramão dessa explicação que envolve o vírus da dengue, a proteção contra febre amarela poderia ajudar o organismo a combater o zika. A ideia de explorar a hipótese foi do epidemiologista Luciano Cavalcanti, da Universidade Federal do Ceará, e de seus colaboradores.

  "Nossa análise mostra que há uma coincidência espacial muito grande entre baixa cobertura vacinal contra febre amarela e as más-formações."

  Dentro dos "clusters" estão concentrados 15,2% dos casos confirmados de microcefalia, mas apenas 2,9% da população brasileira

Fonte: Jornal do Tocantins

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